Um look de filme na câmera do celular
Câmeras de celular são projetadas para entregar uma imagem clara, nítida e saturada assim que você dispara, o que é quase exatamente o oposto do que um look de filme quer. Tirar filme de um celular é sobretudo desfazer essa intenção — e aplicar o look no ponto certo da cadeia.
O que o celular faz antes de você ver qualquer coisa
Entre o sensor e a prévia, um celular moderno empilha várias exposições, alinha e funde, aplica mapeamento tonal local para levantar sombras e segurar altas luzes, dá nitidez de forma agressiva e reforça a saturação. O resultado é uma imagem quase sem drama tonal, com bordas mais nítidas do que qualquer lente já produziu, calibrada para uma tela pequena e brilhante. Cada uma dessas etapas trabalha contra o look de filme, e as que você conseguir desligar normalmente deve desligar.
Aplique o look antes de o celular terminar, não depois
É por isso que um shader ao vivo ganha de um filtro de edição no celular. Se você fotografa normal e corrige depois, está corrigindo uma imagem que já recebeu nitidez, mapeamento tonal e saturação, e essas decisões não podem ser desfeitas. Aplicar a transformação ao fluxo da câmera significa que a curva do filme opera sobre valores de luz relativamente crus e que a granulação fica abaixo da nitidez em vez de acima. Na prática: o que você vê na prévia é o que você obtém, e ela parece certa pelo mesmo motivo.
Ajustes que vale a pena mudar
Desligue qualquer modo de beleza ou otimização de cena: eles remapeiam pele e céu especificamente e vão brigar com qualquer correção. Desligue o HDR se puder ou, no mínimo, saiba que ele achata justamente o contraste de que um look de filme depende. Trave a exposição em vez de deixá-la variar durante a tomada, porque exposição automática mudando no meio do plano não parece nada com filme. E use a grande-angular principal sempre que possível: na maioria dos celulares os módulos ultra-angular e teleobjetiva são menores e mais ruidosos, e o processamento extra deles transparece através do look.
Trabalhar com os limites do celular em vez de contra
Sensores de celular são pequenos, o que significa muita profundidade de campo e ruído em pouca luz. Em vez de brigar com as duas coisas, filme com luz decente e aproveite a profundidade de campo: a fotografia da época que se imita era muitas vezes feita em f/8 com tudo nítido, então um quadro de celular todo nítido chega mais perto disso do que um desfoque de modo retrato. E aceite algum ruído em cenas escuras: com granulação aplicada por cima na proporção certa, ele é lido como filme rápido e não como um celular sofrendo.
Perguntas frequentes
O modo retrato ajuda a conseguir um look de filme?
Raramente. O desfoque artificial tem bordas duras e uma qualidade uniforme que nenhuma lente produz, e costuma desmoronar sob o contraste que uma correção fílmica acrescenta. Profundidade de campo rasa de verdade, com assunto perto e fundo longe, funciona muito melhor.
Vale a pena um look de filme para vídeo no celular?
Vale, e mais do que para fotos, porque vídeo mostra borrão de movimento e granulação ao longo do tempo — duas coisas lidas imediatamente como filme. A limitação principal é o obturador: se o app deixar você fixá-lo em cerca do dobro da taxa de quadros, faça isso.
Isso gasta bateria?
Rodar um shader em cada quadro custa energia, assim como manter a câmera ativa. Na prática é comparável a qualquer app de câmera que processe ao vivo, e é o preço de ver o look real enquanto filma em vez de adivinhar.
O look de filme funciona tão bem na câmera frontal?
Geralmente pior, porque o sensor frontal é menor e o processamento de beleza é mais agressivo; use a câmera traseira e um modo beleza que dê para desligar sempre que possível.
Veja na sua própria câmera. O CAMCAM roda a simulação de filme como um shader ao vivo na câmera do seu celular. Nada é enviado: o look é calculado no aparelho, quadro a quadro.
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